Com mais da metade das vagas ocupadas por artistas negros e indígenas e forte presença de mulheres e pessoas trans, a trilha sonora da celebração em Copacabana reafirma o compromisso histórico do evento com a inclusão.
O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+ anunciou a lista oficial dos 35 DJs que irão comandar a programação musical da 30ª Parada do Orgulho LGBTI+ Rio. O evento histórico, que celebra três décadas de luta, resistência e conquistas, está marcado para o dia 23 de novembro, na tradicional orla de Copacabana.
A seleção final é resultado de uma chamada pública que atraiu mais de 100 inscrições, demonstrando o engajamento e a potência da cena artística da comunidade. O resultado, mais do que uma simples lista de artistas, apresenta-se como um retrato fiel do compromisso da Parada com a pluralidade de vozes que compõem o movimento LGBTI+.
A seleção dos artistas foi um desafio positivo, dada a alta qualidade e diversidade das propostas enviadas. O processo foi conduzido por uma curadoria especializada, formada por Nanda Machado, Felipe Ferrer e Allan Rissato. O Grupo Arco-Íris agradeceu publicamente à equipe pelo “trabalho técnico e criterioso” na análise das inscrições.
Em comunicado, a organização da Parada lamentou as limitações de espaço e tempo nos trios e palcos, que impediram a inclusão de todos os inscritos, mas reforçou o convite para que todos participem da celebração.
“Agradecemos profundamente a todas as pessoas inscritas pela confiança, pelo interesse em participar e pelo carinho demonstrado. Convidamos cada uma a estar conosco na Parada, fortalecendo essa celebração dos 30 anos de história”, declarou a coordenação.
Um Retrato da Diversidade: Os Números da Seleção
A composição final dos 35 DJs selecionados é um forte indicativo do foco na representatividade, especialmente no que tange aos recortes de raça e identidade de gênero, pautas centrais na luta por direitos humanos dentro e fora da comunidade LGBTI+.
Os dados estatísticos divulgados pelo Grupo Arco-Íris revelam um painel plural:
• Cor/Raça: O destaque principal é a maioria de artistas não-brancos. 51,4% (18 pessoas) são negras (pretas e pardas) e 5,7% (2 pessoas) são indígenas, totalizando 57,1% de DJs pertencentes a grupos racializados. Pessoas brancas compõem 40% (14) da seleção.
• Identidade de Gênero: A seleção alcançou um equilíbrio notável, com 45,7% (16 pessoas) do espectro feminino e 54,3% (19 pessoas) do espectro masculino. Mais importante, o detalhamento mostra a inclusão trans: a Parada contará com 5 mulheres trans (além de 11 mulheres cis) e 1 homem trans (além de 18 homens cis).
• Orientação LGBTI+: A diversidade da sigla também está presente, com 45,7% de DJs gays (16), 20% de lésbicas (7), 17,1% de bissexuais (6), 14,3% de pessoas trans/heterossexuais (5) e 2,9% de pansexuais (1).
Ao garantir que mais da metade dos artistas sejam negros ou indígenas, a Parada do Rio envia uma mensagem clara de reparação histórica e de reconhecimento da contribuição fundamental dessas populações para a construção do movimento. Da mesma forma, a presença robusta de mulheres (especialmente lésbicas e bissexuais) e de pessoas trans nos trios elétricos desafia a narrativa de que os espaços de poder e visibilidade na cena LGBTI+ são majoritariamente ocupados por homens gays cisgêneros.
A própria organização observou que, embora o maior número absoluto de inscrições tenha vindo de homens gays – o que naturalmente influenciou o resultado final –, houve uma seleção criteriosa para garantir o “excelente aproveitamento de pessoas lésbicas, mulheres, bissexuais e trans”.
O Grupo Arco-Íris encerrou a nota reafirmando seus valores: “Reafirmamos nosso compromisso com a diversidade, a representatividade e o fomento artístico, valores que marcam a trajetória da Parada do Orgulho LGBTI+ Rio ao longo de três décadas. A 30ª Parada será uma grande celebração coletiva — e vocês são parte fundamental dessa história.
