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Fórum Nacional de Políticas Sociais marca virada histórica da 30ª Parada LGBTI+ Rio

A 30ª Parada do Orgulho LGBTI+ do Rio de Janeiro não será apenas uma celebração nas ruas em 2025. Ela marcará um ponto de inflexão na luta por direitos, ao inaugurar uma nova fronteira de reivindicação: a proteção social. Em um contexto de amadurecimento político do movimento, o Grupo Arco-Íris lança, em 21 de novembro, o Primeiro Fórum Nacional de Políticas Sociais e População LGBTI+, que acontece na sede da organização, na Rua da Carioca, em parceria inédita com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

A realização do Fórum como eixo central da programação política da Parada marca uma mudança de paradigma. Segundo o presidente do Grupo Arco-Íris, Cláudio Nascimento, o movimento chega aos 30 anos com a responsabilidade de aprofundar sua atuação estratégica: “não basta existir; é preciso sobreviver com dignidade”.

Essa perspectiva se reflete na escolha simbólica do local — o Centro do Rio, território histórico de resistência — e na decisão de trazer o Estado para dialogar dentro da casa do movimento social, invertendo a lógica usual de peregrinação a Brasília. É ali que funciona o Centro Comunitário LGBTI, espaço coordenado por Paloma Moreira, que acolhe diariamente pessoas em situação de violência, fome e ruptura familiar.

O Fórum ocorre em um momento de reconstrução das políticas sociais no país. O MDS chega ao encontro apresentando mudanças estruturais: o fortalecimento do Comitê Permanente de Gênero, Raça e Diversidade e a inclusão do nome social, da identidade de gênero e da orientação sexual no Cadastro Único — uma revolução silenciosa que tira a população LGBTI+ da invisibilidade nos sistemas de proteção.

Sem dados, não há política pública. E o Brasil ainda vive um apagão estatístico: os dados sobre violência e vulnerabilidade LGBTI+ seguem sendo produzidos majoritariamente pela sociedade civil, como os dossiês da ANTRA. A presença de equipes técnicas do MDS, do Ministério da Saúde e da UNAIDS reforça o entendimento de que saúde, assistência social e direitos humanos são dimensões inseparáveis.

A Mesa 1, dedicada aos desafios do Sistema Único de Assistência Social, destacará o que movimentos denunciam há anos: a porta de entrada do SUAS ainda é um espaço onde o preconceito institucional impede o acesso. O desrespeito ao nome social, a falta de capacitação e a visão familista dos programas sociais afastam pessoas expulsas de casa por LGBTIfobia.

A mesa também colocará no centro a interseccionalidade racial. A fome e a violência têm cor e gênero: travestis e mulheres trans negras seguem no topo das estatísticas de insegurança alimentar e assassinatos. A análise do MDS e do Ministério da Saúde deve apontar caminhos para que o recorte racial deixe de ser retórico e vire critério de política pública prioritária.

Trabalho, renda e legislação: para além da assistência

A Mesa 2 ampliará o debate para o mundo do trabalho e a produção de leis. Dados recentes mostram que o desemprego entre pessoas LGBTI+ é superior à média nacional, especialmente entre pessoas trans. A presença do deputado Reimont e das vereadoras Mônica Benício e Maíra do MST deve fortalecer o debate sobre legislações reparatórias, como projetos de cotas no serviço público para pessoas em situação de rua — entre elas, muitas jovens expulsas de casa por LGBTIfobia.

A discussão também abordará o reconhecimento da Parada como patrimônio imaterial e a formulação de políticas municipais de enfrentamento à violência de gênero que incluam mulheres trans.

Violência estrutural e proteção social: duas faces da mesma luta

A necessidade do Fórum é reforçada por números alarmantes. O Brasil segue sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo. Em 2023, 145 assassinatos foram registrados, em sua maioria de mulheres trans e travestis negras. A violência letal é apenas a expressão mais extrema de um conjunto de violências institucionais que impedem o acesso à escola, ao emprego e ao sistema de justiça.

O encerramento do Fórum deve consolidar propostas concretas que dialoguem com as deliberações da 4ª Conferência Nacional LGBTQIA+. Entre elas, três prioridades ganham força:

  1. Capacitação nacional no SUAS para eliminar práticas discriminatórias.
  2. Integração orçamentária entre assistência, saúde e trabalho, focada na população LGBTI+.
  3. Criação de uma instância permanente de participação social, garantindo continuidade ao Fórum.

Ao completar 30 anos, a Parada do Orgulho LGBTI+ Rio demonstra que festa e política caminham juntas. A mobilização que ocupará Copacabana no dia 23 será também a celebração da sobrevivência e o anúncio de um novo ciclo: o da cidadania plena como direito, e não concessão. O Fórum, ao abrir esse caminho, estreia a era da intersetorialidade radical como horizonte do movimento LGBTI+ brasileiro.

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Serviços

Estarão presentes:

• Tribunal de Justiça;
• Ministério Público Estadual;
• Polícia Civil Defensoria Pública do Rio de Janeiro;
• Guarda Municipal;
• CET Rio;
• Comlurb;
• Rio Luz;
• Riotur;
• Corpo de Bombeiros;
• Coordenação Executiva da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio;

• Programa Rio Sem Lgbtifobia da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos;
• Uerj;

Todos prestando apoio e oferecendo serviços à população.

Dicas Gerais

 

-Use Roupas Confortáveis: A Parada tem duração de  várias horas, então, invista em roupas leves e calçados confortáveis.

-Vidro Zero: Não leve e nem compre bebidas em vasilhames de vidro. Você pode se cortar e machucar os outros.

-Marque Pontos de Encontro: Combine um ponto de encontro com amigos para o caso de vocês se desencontrarem. Com tanta gente no evento, o sinal do celular pode falhar, então escolher um local fácil de encontrar ajuda todo mundo a se reunir.

-Atenção Redobrada aos Pertences: O esquema de segurança contará com efetivo da Polícia Militar semelhante ao do Réveillon, mas, por ser um evento com grande aglomeração, mantenha seus pertences em bolsas, pochetes ou locais seguros.

-Use o Transporte Público: O MetrôRio é um dos parceiros da Parada em 2024 e é a melhor opção para chegar e sair, já que muitas ruas estarão fechadas e ainda contribui para o clima sustentável do evento. A linha mais próxima da concentração é a Estação Cantagalo, que fica a alguns minutos a pé do ponto de concentração. Para a volta, priorize as Estação Siqueira Campos ou Cardeal Arcoverde.

-Leve Apenas o Essencial: Carregue documentos, dinheiro ou cartão, celular e um carregador portátil, preferencialmente em uma pochete ou bolsa pequena que fique junto ao corpo.

-Conte Conosco: Se ouvir ou ver alguma provocação ou algo fora da lei, não revide. Ou, se presenciar ou for vítima de qualquer outra violação de direitos, denuncie nas tendas do evento e nos postos policiais ou aos membros da organização da Parada.

Dicas para a saúde

INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

São causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. São transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de preservativos. A transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação. 

O diagnóstico e tratamento das IST melhora a qualidade de vida e interrompe a cadeia de transmissão dessas infecções. O atendimento e o tratamento são gratuitos nos serviços de saúde do SUS.

Hepatites A, B e C

As hepatites A, B e C são doenças inflamatórias do fígado causadas por vírus. Quando presentes, podem se manifestar como: cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

A transmissão da hepatite A é fecal-oral (contato de fezes com a boca). A doença tem grande relação com alimentos ou água inseguros, baixos níveis de saneamento básico e de higiene pessoal, e também através do contato sexual, através da prática do “cunete” ou “beijo grego” (sexo oral-anal).

As hepatites B e C são transmitidas tanto através do sangue como por via sexual (sexo oral, anal e vaginal). Podem evoluir sem apresentar sintomas durante muitos anos até chegar à cirrose e câncer de fígado.

Importante: A Hepatite A possui vacina preventiva no esquema de duas doses – com intervalo mínimo de 6 meses – para pessoas acima de 1 ano de idade.

A Hepatite B possui vacina preventiva, tomada em três doses, oferecida pelo SUS. Uma vez adquirida a doença, esta não possui cura, mas existem tratamentos que amenizam os seus efeitos.

Já a Hepatite C ainda não possui uma vacina eficaz, porém existe o tratamento que, em quase 100% dos casos, leva à cura mas não à imunização, podendo desta forma haver uma reinfecção se não forem tomados os devidos cuidados.

Para evitar: Use sempre preservativos, materiais descartáveis, tais como: agulhas, giletes, seringas. Materiais de manicure e pedicure devem ser esterilizados e descartáveis. O mais seguro é ter o seu próprio material de uso pessoal.

Para fazer tatuagem ou colocar piercing, usar hormônios ou aplicar silicone, também exija sempre material descartável ou esterilizado.

Não compartilhe duchinhas higiênicas para fazer a chuca. Se for utilizar a mesma ducha, higienize-a antes com água, sabão e álcool 70 ou água sanitária. Retire bem os produtos antes de fazer a lavagem anal.

Não deixe de se testar para as hepatites B e C e se imunizar contra a hepatite B, caso você também pratique Chemsex (sexo com uso de drogas); use drogas injetáveis, compartilhe canudos para inalar cocaína ou ketamina (key); pratique Fisting (prática de enfiar o punho no ânus); BDSM (bondage e disciplina, dominação e submissão, sadomasoquismo); Golden Shower (chuva dourada, prática de urinar na pessoa parceira).

O sexo entre pessoas com vagina também transmite IST

O uso de preservativos nas relações entre pessoas com vagina pode evitar IST, inclusive o HPV. Como barreiras de proteção podem ser usados lençóis de latéx, camisinhas cortadas num formato quadrado e o plástico filme PVC. Também é importante usar preservativos em brinquedos sexuais, sempre trocando quando for compartilhar com a pessoa parceira.

HIV/AIDS

HIV é a sigla para Vírus da Imunodeficiência Humana, e AIDS é a sigla para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. O HIV é um vírus que ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças.

A AIDS é a doença causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Esse vírus ataca o sistema imunológico, que é o responsável por defender o organismo de doenças. A AIDS não tem cura e sem o tratamento pode levar à morte.

Formas de transmissão:

  • Sexo (vaginal, anal) sem o uso de preservativos;
  • Compartilhamento de materiais perfurocortantes infectados;
  • Dos pais para os filhos durante a gestação, parto ou amamentação.;
  • Transfusão de sangue infectado;

Não se transmite o HIV:

  • Através do beijo;
  • Pelo toque, abraço ou aperto de mão;
  • Pelo ar, alguém tossindo perto de você ou gotículas de saliva;
  • Pelo compartilhamento de toalhas, copos, prato e talheres;
  • Pelo suor, lágrima ou urina

Como se prevenir

O uso de preservativos externos (penianos) e internos (vaginais) continua sendo o método mais eficaz.

Fazendo o teste de HIV a cada 6 meses.

Profilaxia Pré-Exposição (PREP)

Consiste no uso de medicamentos antirretrovirais antes da exposição ao vírus do HIV. Permite ao organismo estar preparado para enfrentar um possível contato com o HIV. A pessoa em PrEP realiza acompanhamento regular de saúde, com testagem para o HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST).

Profilaxia Pós-Exposição (PEP)

É uma medida de prevenção de urgência à infecção pelo HIV, consistindo no uso de medicamentos antirretrovirais após uma exposição ao vírus.

Deve ser utilizada em situações tais como: violência sexual; relação sexual desprotegida (sem o uso de camisinha ou com rompimento da camisinha); e acidente ocupacional (com instrumentos perfurocortantes ou contato direto com material biológico).

O tratamento deve ser iniciado, preferencialmente, nas primeiras duas horas após a exposição de risco e no máximo em 72 horas.

Gel lubrificante

Deve ser sempre à base de água para não danificar o preservativo de látex. Diminui o atrito e a possibilidade de microlesões nas mucosas genitais e anais durante a ato sexual. Estas lesões funcionam como porta de entrada para o HIV e outros microorganismos.

TARV

A Terapia Antirretroviral, utilizada por pessoas vivendo com HIV, atua na supressão da replicação do vírus no organismo, ajudando a controlar a infecção e a manter a saúde da pessoa.

IMPORTANTE: Uma pessoa vivendo com HIV também deve se utilizar de formas de proteção, tendo em vista a possibilidade de se infectar por outras IST ou até outros subtipos de HIV.

Adesão ao tratamento é fundamental!

 

SE LIGA NESSA EQUAÇÃO!

Indetectável = Zero Transmissão (I = 0):

Pessoas vivendo com HIV em tratamento antirretroviral e carga viral indetectável há pelo menos seis meses não transmitem o vírus por via sexual.

É possível viver com HIV, com o preconceito não!

Diversidade combatendo o estigma e preconceito para um futuro sem AIDS.

Cuidados Essenciais:

Se liga para aproveitar! 
 

  • Alimente-se bem e beba bastante água! Vá com roupas leves. Isso ajudará você a ter energia para curtir o evento. Confira a previsão do tempo e, em caso de possibilidade de chuva, leve uma capa.
  • Se você passar mal ou sofrer um acidente, procure as ambulâncias , UTI móveis e os postos de atendimento médico espalhados pela orla.
  • Não se esqueça de usar camisinha. Ela protege você do contato com o HIV, hepatites virais e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST).
  • Você também pode fazer o uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para se proteger do HIV. Busque mais informações em uma Clínica da Família perto de você.
  • Em caso de acidentes com a camisinha, ou se transar sem e não souber se a pessoa tem HIV ou não, você pode procurar um serviço público de emergência em até 72h após a relação sexual e solicitar fazer a Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP).
  • Durante o evento faremos campanha com distribuição de preservativos e informativos. Não deixe de pegar os seus.
  • Se você é uma pessoa vivendo com HIV, fique atento à tuberculose. Tosse prolongada por mais de três semanas é sinal de alerta. Tuberculose tem cura, basta seguir o tratamento supervisionado por 6 meses, sem parar. O diagnóstico e medicamentos são oferecidos gratuitamente pelo SUS.
  • Não deixe de fazer testes para as hepatites virais. Elas são doenças silenciosas e uma coninfecção pode trazer muitos problemas para a saúde.
  • Mesmo que não estejamos mais em estado de pandemia, a Covid ainda é uma realidade. Mantenha a vacinação em dia e higienize as mãos sempre que possível.
  • Também é recomendado tomar a vacina contra a Influenza. Você a encontra em qualquer posto de saúde. É de graça e promove proteção extra.
  • Se você é uma pessoa trans e quer mudar seu corpo, não use hormônios por conta própria. Isso pode fazer mal à sua saúde. O SUS oferece a hormonioterapia gratuitamente. Procure uma Clínica da Família ou Centro de Referência LGBTI+ perto de você e se informe.
  • Se você é uma pessoa com vagina, não deixe de fazer os preventivos ginecológicos e exame de mama para prevenir e cuidar de infecções sexualmente transmissíveis e prevenir o câncer.
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